sexta-feira, 15 de maio de 2009
II ENEIMAGEM
Entre 12 e 14 de maio foi realizada, na Universidade Estadual de Londrina, a segunda ediçao do Encontro Nacional de Estudos da Imagem, iniciativa do Laboratório de Estudos dos Domínios da Imagem na História - LEDI. Uma possibilidade de troca de experiências como esta em campo que vem se alargando no Brasil em diferentes áreas tem todos os seus méritos, estando os docentes do LEDI de parabéns por assumirem tal desafio. Esta é a primeira vez que participo. Assim sendo, minhas impressoes do evento nao permitem uma perspectiva comparativa entre as duas ediçoes. Tampouco desejo aqui pormenorizar tudo o que lá foi apresentado e discutido, o que seria inviável. Deixo aqui apenas minha mirada. O evento abriu com a conferência de Maria Cristina Boixadós que apresentou seu trabalho sobre imagens fotográficas da cidade argentina de Córdoba; passou por uma panorâmica de diferentes óticas na abordagem das imagens - enfocando a semiótica, a antropologia visual e as relaçoes entre imagem e história política; seguiu com a competente conferência de Ana Maria Mauad sobre as relaçoes entre ver e conhecer, entre os regimes visuais e a produçao de conhecimento e os sentido da história; continuou com a mesa-redonda sobre imagens urbanas e, finalmente, encerrou com a conferência de Jens Baungarten que traçou brilhante análise transhistórica relacionando as imagens das encenaçoes nazistas no III Reich com a imagética litúrgica produzida pela Contra-Reforma em Roma. Do meu ponto de vista esta última conferência encerrou com chave de ouro o evento. Certamente nem todos irao concordar com minha perspectiva, o que, diga-se de passagem, é bastante salutar em evento como este. Por mais próximos que estivessem os participantes no que se refere às investigaçoes sobre as imagens, os distanciamentos estavam colocados nas diferentes abordagens metodológicas, nas temáticas problematizadas, nas perspectivas disciplinares. Essa talvez seja a maior riqueza de um encontro como este: reunir historiadores, cientistas políticos, historiadores da arte, arquitetos, arquivistas, entre outras áreas,num cruzamento de olhares sobre os domínios da imagem. Qualquer evento científico vai-se construindo ao longo de suas diversas realizaçoes. Assim, no sentido de tornar o Eneimagem cada vez mais atrativo aos pesquisadores brasileiros da imagem, faço aqui algumas sugestoes, algumas delas surgidas no bate-papo dos corredores e da hora do café. O formato de Simpósios Temáticos propostos por dois coordenadores de instituiçoes diferentes (a exemplo do Encontro Nacional da ANPUH)pode ser uma aternativa interessante para reunir um maior número de comunicaçoes a partir de determinadas afinidades. Isso evitaria a pulverizaçao de sessoes de comunicaçoes versando sobre perspectivas aproximadas ocorrendo em mesmo horário, o que levou no evento a um baixo número de pessoas assistindo aos trabalhos apresentados e a uma certa insatisfaçao pela impossibilidade de se assistir sessoes correlatas que poderiam estar reunidas em mesmo local. Corrijam-me, se estiver enganada, mas muitas vezes o que levamos de um encontro como esse, entre outras coisas, é a oportunidade de tomarmos conhecimento com os trabalhos em desenvolvimento em diversas regioes do Brasil, quase sempre apresentados sob forma de comunicaçoes. Valeria a pena valorizar esse espaço! Fugindo, mas nem tanto, do âmbito do evento tive a oportunidade de ser conduzida, juntamente com Maria Cristina Boixadós e Elisabete Leal, pela diretora do Museu Histórico de Londrina Angelita Marques Visalli àquela instituiçao. Além de conhecer a bela edificaçao da antiga estaçao ferroviária, percorrer os espaços expositivos, tivemos oportunidade de observar o trabalho cuidadoso que está sendo realizado na conservaçao do acervo fotográfico, com apoio da FUNARTE. Assim, gostaria de sugerir que o evento passasse a contemplar a realizaçao de roteiros culturais como este na cidade. Afinal de contas, visitar os museus e mesmo a cidade é tomar contato com a cultura visual de Londrina, daí sua pertinência. Perdoem-me a liberdade de estar tecendo essas consideraçoes neste espaço. Longe de ser uma crítica à organizaçao do evento, move-me um desejo de que o ENEIMAGEM seja cada vez melhor, tornando-se o grande fórum dos pesquisadores brasileiros da imagem.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
VII Semana de Museus da USP
Mais uma vez tenho a alegria de participar da Semana de Museus da USP. Este, sem dúvida, é um dos fóruns brasileiros mais qualificados de debate sobre as problemáticas ligadas aos museus. Como sempre, a organização competentíssima da equipe de representantes dos cinco museus da USP. O tema não poderia ser mais instigante: o museu na cidade, a cidade no museu. A meu ver, dois pontos altos. O primeiro, a palestra de Gabi Dolff-Bonekämper sobre a Ilha dos Museus de Berlim e suas transformações no pós-guerra e pós-queda do muro. Gabi falou de "perda e partilha" num contexto de deslocamento e rearranjo de coleções separadas pelo muro. O segundo ponto foi a palestra do Professor Ulpiano Bezerra de Meneses, uma das mentes mais brilhantes da intelectualidade brasileira. Escuto Ulpiano há vinte anos e suas abordagens são sempre de autosuperação. Jamais se repete, apenas reafirma princípios alicerçados em várias anos de docência e trabalho nos museus. Sua palestra discorreu sobre a problemática central do evento, abordando a presença da cidade marginal no museu de cidade. Guiou seus ouvintes num itinerário de reflexão sobre os museus de favela (alguns já com algumas décadas), hoje tão em voga no Rio de Janeiro e suas diversas apropriações, seja pelo turismo, seja por seus moradores. O evento ainda conta com "debates", onde apenas um conferencista discorre sobre uma temática, debatida por um interlocutor e também pelo público. A palestra de Marcelo Mattos Araujo sobre as pesquisas do não-público da Pinacoteca do Estado de São Paulo lançou várias indagações e desafios aos museus. Para o museu interessa saber não apenas quem é seu público visitante, mas também quem não o visita. Como se tudo isso nao fosse suficiente, os organizadores abrem, democraticamente, espaço para comunicadores. Nesse momento, descortina-se a variedade de regiões brasileiras aqui representada. De Norte a Sul, de Belém do Pará a Porto Alegre são muitos e diversos os sotaques. Isso, claro, sem contar as conversas animadas de corredor, na hora do café e do almoço, onde a troca de ideias toma conta do cenário. Ainda nem terminou, mas já estou querendo voltar para a próxima, em 2011.
Personagens do Centro de Porto Alegre

Pois é, a correria está grande, mas, na medida do possível, passo por aqui para deixar alguma novidade. Esta é recém-saída do forno.
Na última semana foram lançados os produtos resultantes do Projeto Personagens do Centro de Porto Alegre. Orgulho-me de ter dado o pontapé inicial dessa ideia que Vitor Ortiz, Elisabete Leal, Alice Bemvenutti e Naida Meneses transformaram num projeto de pesquisa participativo com os moradores do centro da cidade e que gerou oficinas e um jogo educativo. Eu e Lucca (meu filho de quase 7 anos) nos divertimos, traçando itinerários pelo centro de Porto Alegre, (re)conhecendo os personagens e aprendendo sobre a cultura, a história e o patrimônio. As escolas receberão os kits e poderão desenvolver atividades com seus alunos. Transcrevo o texto de divulgação detalhando o projeto, mas deixo aqui um grande PARABÉNS aos realizadores.
O Projeto *Personagens do Centro de Porto Alegre*, idealizado pelo Instituto> Hominus em parceria com o Espaço Cultural do Sindicato dos Bancários, lança> no dia 23 de abril seu kit educativo, composto por uma revista, um jogo e um> documentário audiovisual. A iniciativa foi contemplada em concurso nacional> promovido pela UNESCO, IPHAN e Ministério da Cultura que visava estimular> atividades de educação patrimonial nas cidades onde acontecem investimentos> do Programa Monumenta.>> O tema *Personagens do Centro* foi desenvolvido através de um inventário> participativo e trabalhado em oficinas, das quais participaram dezenas de> moradores da região. Os encontros instigaram questões relacionadas aos> patrimônios material e imaterial do Centro e resultaram na elaboração de uma> listagem com 49 personagens. Entre estes estão figuras emblemáticas do> imaginário popular de Porto Alegre, como a Bronze, que deu nome ao Alto da> Bronze, Miguel KGB, Bataclã, Gilda Marinho, Odonne Greco, o Rei Momo Vicente> Rao, entre outras figuras ainda vivas, como o músico Zé da Folha, o último> Lambe-Lambe da Praça XV e o pixador Toniolo.>> O projeto promoveu também uma ampla pesquisa sobre estes personagens,> reunindo um farto material que serviu de base para a produção de um conjunto> educativo: um jogo que proporciona um contato lúdico dos estudantes com o> mapa do Centro de Porto Alegre; um *documentário audiovisual *reunindo> depoimentos de historiadores e cronistas sobre cinco destes personagens, e> uma *revista* que conta um pouco da história de cada um deles.>> O kit vai beneficiar 100 escolas da rede pública de Porto Alegre. “Trata-se> de um suporte inédito para que os professores possam trabalhar o tema do> Centro e do patrimônio cultural de Porto Alegre em sala de aula”, comenta o> coordenador do projeto, Vítor Ortiz.>> *KIT EDUCATIVO*>> *JOGO – *O jogo do projeto Personagens do Centro acontece sobre um tabuleiro> onde está impresso um mapa artístico estilizado do Centro da Capital, com> suas ruas, praças e principais monumentos. É um jogo de percurso com dados e> piões, onde podem jogar seis alunos de cada vez. No percurso, vão ocorrendo> vários momentos de interação entre os personagens desenhados pelo cartunista> Bier e as situações que normalmente se oportunizam no Centro, como ir a uma> velha barbearia, passear pela Rua da Praia ou fazer compras no Mercado> Público. O jogo foi criado e desenhado pela artista plástica e educadora> Alice Bemvenuti.>> *DOCUMENTÁRIO AUDIOVISUAL – *O documentário tem 30 minutos de duração e> reúne o depoimento de seis conhecedores do Centro: o historiador Sérgio da> Costa Franco, o professor Sérgius Gonzaga, o jornalista Wanderley Soares, o> jornalista Índio Vargas, e ainda Adalberto Castilhos e João Luiz Pinheiro> Machado. Este registro audiovisual recupera parte da história de cinco> personagens, todos já falecidos: A Bronze, Bataclã, Odone Greco, Teresinha> Morango e Qorpo Santo. O documentário foi dirigido pela jornalista Camila> Ali.>> *REVISTA – *A revista do kit Personagens do Centro tem 44 páginas e traz um> balanço social do projeto, com o registro da metodologia, de todas as etapas> de realização e ainda com um resumo das pesquisas sobre cada um personagens> relacionados. A distribuição é gratuita e vai acontecer no dia do> lançamento. As demais 500 revistas serão destinadas às escolas, às> bibliotecas e às instituições culturais do Centro.>> *Lançamento oficial do **Kit Educativo*>> Apresentação do Kit, exibição do documentário e entrega dos Kits educativos> para as escolas públicas> Quinta-feira, dia 23 de abril às 19h30> CineBancários - Rua General Câmara, 424 – Centro> Contatos: (51)3433-1204 / 3433-1205
domingo, 11 de janeiro de 2009
Exposição de Cartier Bresson no Brasil
2009 será o ano da França no Brasil. É possível acompanhar a programação no site oficial, em
http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/
Infelizmente quase tudo está programado para a região sudeste, exceto as apresentações que percorrerão várias cidades brasileiras. Acompanhei a inscrição dos projetos, que necessitavam de dois parceiros, um de cada país. Assim, se pouco há nas demais regiões, infelizmente, isso deve-se à falta de interesse ou de condições das mesmas em fazer parte dessa festa.
Porto Alegre homenageará a França na Feira do Livro. Parabéns à Câmara do Livro, que se lembrou do país de Vitor Hugo. No entanto, isso não é novidade; sempre fazemos isso nas nossas feiras. Tomara que venha algo mais e esse algo mais bem que poderia ser a exposição de Cartier Bresson, prevista para São Paulo. Com esse marasmo cultural que estamos vivendo nos últimos anos, acho difícil. Quem puder ir a São Paulo, aproveite. Em todo caso, transcrevo abaixo a notícia na íntegra:
"Publicado em 29 de dezembro de 2008
Exposição Henri Cartier-Bresson
Outubro a novembro no SESC São Paulo
A Fundação francesa Cartier Bresson em parceria com a empresa brasileira Escamilla promove uma exposição
Sidewalk Cafe, Boulevard Diderot, por Henri Cartier-Bresson
fotográfica com seleção de cerca de 130 das melhores obras de Cartier-Bresson, ampliadas sob a supervisão do curador Eder Chiodetto e oriundas da agência francesa Magnum Photos, criada por ele em 1947.
Haverá também o lançamento do livro “Henri Cartier-Bresson – Fotógrafo” pela editora Cosac Naify e um ciclo de debates denominado “O Momento Decisivo Hoje” que contará com a participação de especialistas franceses e brasileiros.
Exposição de fotografias em paralelo à mostra principal, com cerca de 30 fotografias trará trabalhos de fotógrafos que atuaram nas Revistas “O Cruzeiro” e “Realidade”, entre outras, tais como Flávio Damm, Thomaz Farkas, José Medeiros, Alécio de Andrade, German Lorca, etc. Distribuição de folders didáticos com explicação sobre a importância da obra do fotógrafo e reflexões sobre algumas de suas fotografias."
http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/
Infelizmente quase tudo está programado para a região sudeste, exceto as apresentações que percorrerão várias cidades brasileiras. Acompanhei a inscrição dos projetos, que necessitavam de dois parceiros, um de cada país. Assim, se pouco há nas demais regiões, infelizmente, isso deve-se à falta de interesse ou de condições das mesmas em fazer parte dessa festa.
Porto Alegre homenageará a França na Feira do Livro. Parabéns à Câmara do Livro, que se lembrou do país de Vitor Hugo. No entanto, isso não é novidade; sempre fazemos isso nas nossas feiras. Tomara que venha algo mais e esse algo mais bem que poderia ser a exposição de Cartier Bresson, prevista para São Paulo. Com esse marasmo cultural que estamos vivendo nos últimos anos, acho difícil. Quem puder ir a São Paulo, aproveite. Em todo caso, transcrevo abaixo a notícia na íntegra:
"Publicado em 29 de dezembro de 2008
Exposição Henri Cartier-Bresson
Outubro a novembro no SESC São Paulo
A Fundação francesa Cartier Bresson em parceria com a empresa brasileira Escamilla promove uma exposição
Sidewalk Cafe, Boulevard Diderot, por Henri Cartier-Bresson
fotográfica com seleção de cerca de 130 das melhores obras de Cartier-Bresson, ampliadas sob a supervisão do curador Eder Chiodetto e oriundas da agência francesa Magnum Photos, criada por ele em 1947.
Haverá também o lançamento do livro “Henri Cartier-Bresson – Fotógrafo” pela editora Cosac Naify e um ciclo de debates denominado “O Momento Decisivo Hoje” que contará com a participação de especialistas franceses e brasileiros.
Exposição de fotografias em paralelo à mostra principal, com cerca de 30 fotografias trará trabalhos de fotógrafos que atuaram nas Revistas “O Cruzeiro” e “Realidade”, entre outras, tais como Flávio Damm, Thomaz Farkas, José Medeiros, Alécio de Andrade, German Lorca, etc. Distribuição de folders didáticos com explicação sobre a importância da obra do fotógrafo e reflexões sobre algumas de suas fotografias."
domingo, 17 de agosto de 2008
Um ônibus escolar a pé?

É isso mesmo!! Já pensaram o fim daquelas filas duplas intermináveis em frente às escolas na hora do rush? E a quantidade de carros que poderiam deixar de circular pelas ruas, lançando seus gases contra o meio ambiente? E poder dividir com vários pais e mães a tarefa e levar e buscar os filhos no colégio? Além disso, propiciar que as crianças vivenciem mais a cidade em que moram, aprendendo a se locomover com responsabilidade pelas ruas? As vantagens não param por aí, não. Ir à escola caminhando ainda ajuda a evitar a obesidade dos pimpolhos. E como se isso tudo não bastasse, as crianças ainda se divertem em grupo indo para a escola e voltando de lá. Essa experiência encantadora já é realidade em várias cidades italianas e tem se tornado difundida em países da Europa e nos Estados Unidos. O site piedibus.it fornece várias informações sobre a proposta, mostra imagens das cidades que já vem implementando a idéia, além de orientar aqueles que desejarem tomar frente a essa iniciativa. Projetos como estes tornam nossas cidades mais humanas, contribuindo para a preservação ambiental e, tornando nossos filhos e filhas mais conhecedores da cidade em que vivem, conseqüentemente mais envolvidos com o seu futuro também.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Querem roubar, mais uma vez, nosso Guaíba!!
Quem, como eu, vem participando há algumas décadas em defesa do Guaíba, encontra pouca novidade nos episódios recentes que envolvem a área do Estaleiro Só, na Zona Sul de Porto Alegre. É semelhante à discussão do destino que se dará à área portuária, especialmente armazéns A e B, nas imediações da Praça da Alfândega. Desde o século XIX, a cidade avança sobre as águas do rio, recentemente, definido como lago. Poucos sabem que grande parte da orla entre Praça da Alfândega e Navegantes foi conseguida graças a aterros sistemáticos para construção do porto. E que nossa Rua da Praia tinha motivo para ter esse nome. Mais remotamente, era a modernização da cidade que impunha aos centros urbanos transformações de ordem higiênica, viária e estética. Mesmo o afã de modernidade exacerbado das elites e do poder público, não foi uníssono. Os jornais, principalmente, expressaram vozes dissonantes, contrárias à fúria demolidora que colocou abaixo becos e casebres dos pobre da cidade que precisaram encontrar moradia bem longe da área central. Esse é, em linhas curtas, o processo de transformação do centro em cenário da burguesia porto-alegrense ascendente, desejosa de não encontrar nos espaços que freqüentava aqueles "feios, sujos e malvados" que insistiam em colocar ao lado do fotting na rua da praia, dos cinemas e dos cafés à française, o batuque e as festas religiosas populares.
Naquele período, porém, ainda não existia o que, hoje, denomina-se preocupação ecológica. E Porto Alegre ainda não havia passado pelo movimento de defesa do seu patrimônio histórico, especialmente o arquitetônico, que foi tomando as páginas dos jornais com Manoellito de Ornellas, em fins dos anos 1950. De lá para cá, as mudanças na cidade, mal ou bem contemplaram a preocupação ecológica e com o patrimônio histórico. Grande parte do que hoje consideramos a cara e a alma da cidade - Mercado Público, Usina do Gasômetro, Solar Lopo Gonçalves, entre outros - foi preservada a partir desse período. Período da ditadura militar, contraditoriamente, que ergueu o muro da Mauá, separando de forma trágica a cidade do seu lago. Legislações foram criadas e movimentos da população tentaram fazer ouvir a opinião de mais atores, especialmente aqueles que vivenciam a cidade e não apenas aqueles que lucram com a exploração do espaço urbano da cidade. São representantes desse segundo grupo que, mais uma vez, querem transformar a área do Estaleiro Só em um grande empreendimento imobiliário, privando a cidade e sua população de mais uma grande extensão de contato com as águas do Guaíba. Para isso, desejam alterar a legislação que tranforma justamente aquela área em área especial de preservação cultural. As áreas especiais, legislação elaborada pelos técnicos do órgão de patrimônio do poder público municipal em conjunto com a Uniritter, no governo popular, tem como objetivo manter aspectos identitários da paisagem ambiental e cultural da cidade. Nessa diretriz límpida e que direciona para a democratização do uso dos espaços da cidade, esbarra nos interesses dos grupos que vêem na cidade não espaço de convívio e cidadania, mas possibilidade de lucros. Espero que a história não analise esse processo, repetindo o acontecido em outras épocas, mas inventando uma nova forma de viver e pensar Porto Alegre que contemple as futuras gerações e o benefício de um maior número possível de pessoas.
Naquele período, porém, ainda não existia o que, hoje, denomina-se preocupação ecológica. E Porto Alegre ainda não havia passado pelo movimento de defesa do seu patrimônio histórico, especialmente o arquitetônico, que foi tomando as páginas dos jornais com Manoellito de Ornellas, em fins dos anos 1950. De lá para cá, as mudanças na cidade, mal ou bem contemplaram a preocupação ecológica e com o patrimônio histórico. Grande parte do que hoje consideramos a cara e a alma da cidade - Mercado Público, Usina do Gasômetro, Solar Lopo Gonçalves, entre outros - foi preservada a partir desse período. Período da ditadura militar, contraditoriamente, que ergueu o muro da Mauá, separando de forma trágica a cidade do seu lago. Legislações foram criadas e movimentos da população tentaram fazer ouvir a opinião de mais atores, especialmente aqueles que vivenciam a cidade e não apenas aqueles que lucram com a exploração do espaço urbano da cidade. São representantes desse segundo grupo que, mais uma vez, querem transformar a área do Estaleiro Só em um grande empreendimento imobiliário, privando a cidade e sua população de mais uma grande extensão de contato com as águas do Guaíba. Para isso, desejam alterar a legislação que tranforma justamente aquela área em área especial de preservação cultural. As áreas especiais, legislação elaborada pelos técnicos do órgão de patrimônio do poder público municipal em conjunto com a Uniritter, no governo popular, tem como objetivo manter aspectos identitários da paisagem ambiental e cultural da cidade. Nessa diretriz límpida e que direciona para a democratização do uso dos espaços da cidade, esbarra nos interesses dos grupos que vêem na cidade não espaço de convívio e cidadania, mas possibilidade de lucros. Espero que a história não analise esse processo, repetindo o acontecido em outras épocas, mas inventando uma nova forma de viver e pensar Porto Alegre que contemple as futuras gerações e o benefício de um maior número possível de pessoas.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Observatório de Museus
Na correria,prefiro não deixar de colocar aqui essa notícia, publicada no Boletim do MINC:
"Observatório de Museus e Centros Culturais inaugura portal na internet
O projeto é uma iniciativa do Observatório de Museus e Centros Culturais (OMCC) e tem como meta a identificação das instituições e os programas de pós-graduação no Brasil que produzem monografias, dissertações de mestrado e teses de doutorado sobre museus.
Além de permitir uma avaliação da dinâmica da produção acadêmica referente a essas instituições, a pesquisa identifica as áreas do conhecimento nas quais a produção é mais freqüente, os temas e as abordagens prevalecentes em dado período, a natureza da instituição produtora e sua localização.
O estudo pode ser conferido no site do Observatório: www.fiocruz.br/omcc. Os interessados podem também conferir o perfil dos visitantes dos museus, ver o mapa das diferentes situações e modalidades de visitas e a identificação dos processos e contextos promotores de acesso aos museus e centros culturais para variados segmentos da sociedade.
Contribuição dos visitantes
Para se manter sempre atualizado, o portal estimula o público a enviar seu texto de pesquisa (dissertação, tese, monografia, relatório) em PDF para a seção Estante Virtual. Ou também sugestão bibliográfica no espaço disponível da seção Fale conosco.
O portal é fruto da parceria entre o Museu da Vida, Casa de Oswaldo Cruz, o Departamento de Museus do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Demu/IPHAN) a Diretoria Regional de Brasília da Fundação Oswaldo Cruz, , a Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) e o Museu de Astronomia e Ciências Afins."
Eu já acessei e é muito bacana, mas está em construção, dependendo que os pesquisadores alimentem seu banco de dados. Vamos lá, acessem www.fiocruz.br/omcc.
"Observatório de Museus e Centros Culturais inaugura portal na internet
O projeto é uma iniciativa do Observatório de Museus e Centros Culturais (OMCC) e tem como meta a identificação das instituições e os programas de pós-graduação no Brasil que produzem monografias, dissertações de mestrado e teses de doutorado sobre museus.
Além de permitir uma avaliação da dinâmica da produção acadêmica referente a essas instituições, a pesquisa identifica as áreas do conhecimento nas quais a produção é mais freqüente, os temas e as abordagens prevalecentes em dado período, a natureza da instituição produtora e sua localização.
O estudo pode ser conferido no site do Observatório: www.fiocruz.br/omcc. Os interessados podem também conferir o perfil dos visitantes dos museus, ver o mapa das diferentes situações e modalidades de visitas e a identificação dos processos e contextos promotores de acesso aos museus e centros culturais para variados segmentos da sociedade.
Contribuição dos visitantes
Para se manter sempre atualizado, o portal estimula o público a enviar seu texto de pesquisa (dissertação, tese, monografia, relatório) em PDF para a seção Estante Virtual. Ou também sugestão bibliográfica no espaço disponível da seção Fale conosco.
O portal é fruto da parceria entre o Museu da Vida, Casa de Oswaldo Cruz, o Departamento de Museus do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Demu/IPHAN) a Diretoria Regional de Brasília da Fundação Oswaldo Cruz, , a Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) e o Museu de Astronomia e Ciências Afins."
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